Paulista

A luz sol matutino deixava um rastro no ar gélido e nevoento pouco antes de tocar gentilmente o rosto de Roberto naquela manhã. Sentado ao lado de seu cabo o oficial bem desperto estava preocupado. Ainda que os radares não tivessem captado atividades drones no perímetro não deixava de ser muito arriscado seguir pela vergueiro em direção a Paulista em um ônibus.

Ouviu algumas risadas abafadas, notou que eram dos dois especialistas  sobre o teto do veículo blindado. Atentos ao entorno, com equipamentos de guerra eletrônica, vasculhavam visualmente o mar de escombros que atravessavam. Com a proximidade do Paraíso, os artilheiros ao lado do canhão de campanha postado à direita do motorista destravaram a arma e um deles já deixou apoiado em uma das pernas uma capsula de antiblindagem.

Entre o chiado e o balançar que jogou todos ao chão não demorou nem um segundo. Antes que Roberto  conseguisse se levantar saindo debaixo de pelo menos dois homens, os artilheiros já tinham empurrado a plataforma deslizante abaixo de seu  amado filhote e o giravam com tiros barulhentos tentando acertar, mesmo que por proximidade, um rápido drone terrestre que corria por entre os escombros.

O teto estava baixo, amassado, maz aguentara o impacto sem romper em nenhum ponto.

– Lá se foram os caras da eletrônica.- comentou um atirador na fila de homens que se acotovela no aguardo de autorização de seus sargentos para pular fora do veículo que tremia e se levantava levemente a cada tiro e grito de raiva dos artilheiros.

Uma língua de fogo varreu o interior do ônibus por um estante deixando todos sem ar. A plataforma em que estavam os artilheiros desaparecera e a abertura na parte frontal do veículo estava vazia como uma porta de emergência. Roberto agiu automaticamente, puxou o lança mísseis das mãos do homem ao seu lado, gritou para que todos se abaixassem e atirou. O projétil chiou por quase metade do corredor, por sobre as cabeças e no momento que passava pela comporta de artilharia acertou um drone de frente, no momento que ele posicionava suas metralhadoras anti pessoal.

A voz de desembarcar foi uma só de todos os sargentos e as janelas de vidro blindado foram derrubadas como mágica, enquanto os militares escorriam como água para o exterior.

Não era um, mas dois inimigos robóticos. Roberto devolveu a arma ao soldado ainda atônito, empurrou-o para que saísse do blindado e respirou fundo o ar da manhã. Agora sim, a pé e com um inimigo à espreita, antes caçador do que caça.

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Sobre Dalton Almeida

Escritor, jornalista e game designer.

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